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A SAÍDA DOS TRENS (2020), DE RADU JUDE: FOTOGRAFIA, CINEMA E MEMÓRIA DO HOLOCAUSTO , Marcos C. P. Soares

THE EXIT OF THE TRAINS (2020), BY RADU JUDE: PHOTOGRAPHY, CINEMA AND MEMORY OF THE HOLOCAUST

Este artigo analisa o documentário A saída dos trens (2020), de Radu Jude, situando-o no contexto da “Nova Onda Romena” e do conjunto de obras do diretor dedicadas à revisão crítica da participação da Romênia no Holocausto. Partindo do exame de sua estrutura formal, baseada na articulação de retratos fotográficos de vítimas, imagens de arquivo, testemunhos e documentos históricos, discute-se como o filme constrói uma reflexão sobre memória, violência histórica e representação do genocídio. O estudo investiga o papel central da fotografia na restituição da singularidade das vítimas do massacre de Iași e dos chamados “trens da morte”, contrapondo-se aos processos de abstração estatística da violência de massa. Analisa-se ainda a relação entre fotografia e morte à luz das reflexões de Roland Barthes, bem como os procedimentos de montagem, citação e reutilização crítica do arquivo em diálogo com Walter Benjamin e Guy Debord. Argumenta-se que o filme transforma o arquivo fotográfico em instrumento de memória histórica e de resistência ao esquecimento, ao mesmo tempo que problematiza as relações entre modernidade, burocracia e barbárie.               

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