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A MANDORLA ELÍPTICA E A IMAGEM ALQUÍMICA: UMA HERMENÊUTICA SIMBÓLICA A PARTIR DA PSICOLOGIA ANALÍTICA, Jorge Miklos & Rodrigo Denohá Benguella Bueno

THE ELLIPTICAL MANDORLA AND THE ALCHEMICAL IMAGE: A SYMBOLIC HERMENEUTICS FROM ANALYTICAL PSYCHOLOGY

O presente ensaio investiga os aspectos simbólicos e psicológicos da imagem elíptica como expressão da mandorla alquímica, articulando fundamentos da Psicologia Analítica junguiana à tradição imaginal da alquimia ocidental. A pesquisa tem como eixo a busca por uma elaboração simbólica da forma elíptica, compreendida não como mera estrutura geométrica, mas como campo anímico de transmutação psíquica, evocando as operações do opus alchymicum — nigredo, albedo, citrinitas e rubedo. O objetivo é demonstrar como a imagem, em vez de representar conteúdos, atua como operador simbólico, instaurando um campo de provação afetiva e convocando à individuação. A metodologia adotada é de base hermenêutica e simbólica, ancorada nas obras de Carl Gustav Jung, James Hillman e Edward Edinger, entre outros, com aportes da iconologia alquímica e da epistemologia da imagem. O corpus analítico consiste na imagem denominada Vas Hermeticum, concebida pelos autores por meio de gesto coletivo e interpretada como símbolo vivo da tensão criativa entre opostos psíquicos. Essa figura elíptica é analisada em sua dupla função: recipiente e substância catalisadora de experiências transformadoras no campo da alma. A análise desenvolve-se a partir de três eixos: a) a forma elíptica como mandorla simbólica; b) a imagem como dispositivo de individuação; e c) o campo simbólico como forno psíquico — athanor — da transmutação interior. Conclui-se que a mandorla elíptica não representa uma harmonia reconciliadora, mas uma tensão fecunda entre polaridades inconciliáveis, cuja coexistência dá origem à ampliação da consciência e à metamorfose do sujeito. A imagem é compreendida como escritura aberta da alma, catalisando afetos, evocando sentidos e operando deslocamentos simbólicos profundos. O ensaio propõe, assim, uma hermenêutica simbólica da imagem como experiência, convocando a imaginação poética como caminho epistêmico e clínico para a escuta da psique contemporânea.         

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